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Comunicado de Imprensa
DOCKANEMA VEM AÍ – com filmes europeus e brasileiros em peso
Quem se queixa de que a vida cultural em Maputo é uma desolação, deve saber que, pelo menos uma vez por ano, esta cidade tem a ousadia de se comparar às maiores do mundo e organiza o seu Festival Anual do Filme Documentário. Este ano será o 3º.
Só para refrescar a memória àqueles que já conhecem as ambições de Pedro Pimenta com o seu Dockanema, lembramos que ele pretende, por esta ordem: trazer ao público moçambicano as ideias e problemáticas do nosso tempo vistas com a profundidade que o Filme Documentário permite, promover o documentário moçambicano e, simultaneamente, o cinema da nossa região e do nosso continente e trazer as correntes mais inovadoras do cinema em língua portuguesa, nomeadamente de Portugal e do Brasil mas também da América Latina no seu todo.
É também uma das marcas do Festival integrar-se num tema e o deste ano é a Memória. Sobre isto Pedro Pimenta diz: “Pareceu-nos uma abordagem interessante em função de tendências que notamos em muita produção cinematográfica à nossa volta, mas também em função de uma dinâmica que existe em Moçambique visando resgatar as suas memórias colectivas, preservá-las e restitui-las à sociedade.” É dentro deste tema da “memória” que se inscreve a apresentação do filme de Margarida Cardoso, “KUXA KANEMA” que é a memória do cinema moçambicano.
Não só para mulheres, mas dedicado a elas, o Dockanema este ano, remete-nos para o despertar da consciência feminista e, num filme documentário cheio de humor e muita criatividade (assinado por Alina Marazzi) – Também queremos as rosas - faz a história das lutas das mulheres na Itália e em geral na Europa, para chegar ao que hoje consideramos como dado adquirido mas não podemos esquecer que custou lágrimas e frustrações.
Outro filme onde a Memória se impõe, é “A Cortina de Açucar” de Camila Guzman, um documentário sobre Cuba hoje, feito por uma cubana que de lá saiu já depois da Revolução e volta à procura das doces recordações de infância. O país que deixou atrás de si já não existe e neste documentário ela coloca as suas perplexidades sobre uma realidade que é doloroso tentar compreender, e muito mais doloroso aceitar.
Um programa muito vasto e diversificado, está pois ao nosso dispor, absolutamente mahala, em várias salas e durante dez dias. Vemo-nos lá!